A Lei nº 14.611/2023 obriga empresas com 100 ou mais empregados a publicar, a cada semestre, o Relatório de Transparência Salarial. Quase toda empresa sabe calcular a média por cargo. Quase nenhuma sabe responder a pergunta que importa: quanto da diferença vem de mulheres estarem em cargos diferentes, e quanto sobra quando tudo o mais é igual. O Equipara responde com a régua do mercado formal brasileiro, medida na RAIS.
Mediana do salário por hora das mulheres abaixo da dos homens, sem controlar nada. É o número que aparece na maioria dos relatórios.
Mesmas pessoas, mesma idade, escolaridade, jornada, tempo de casa, vínculo e ocupação. Só o gênero muda. Em 91,6% dos 20.000 perfis testados, o homem ganha mais.
Mediana do salário por hora, base completa após a limpeza (6.059.131 vínculos). Diferença estatisticamente significativa em todos os níveis (Mann-Whitney). A qualificação não elimina a desigualdade: ela acompanha a mulher escada acima.
Gap de gênero dentro de cada grupo de raça ou cor, base completa. A categoria "Não informado" (947.452 vínculos, 15,7% da base) fica fora da comparação: é ausência de registro, não um grupo social.
contra 43,1% no mercado. Duas vezes menos presentes.
menor que os 9,4% do mercado geral.
o gap cresce entre quem tem diploma.
Não escreva "em TI é pior". O que os dados dizem: em TI a desigualdade salarial bruta é menor, e o problema principal do setor é a ausência de mulheres. Comparando só quem tem superior completo, a diferença aumenta em vez de sumir, o que desmonta o argumento de "cargos menos qualificados". Recorte por ocupação (CBO), 85.908 vínculos.
Gap bruto e gap controlado por escolaridade, ano a ano. A amostra sorteia linhas, não anos: 2010, 2014, 2016, 2017, 2019, 2020, 2021 e 2024 não entraram no sorteio. Por isso este gráfico não é uma série temporal contínua: é uma amostra pontual de nove anos dentro do intervalo de 2009 a 2025, com lacunas entre eles. O gap está em porcentagem de propósito: em reais, a inflação entraria na conta.
A linha clara cai sozinha porque o perfil educacional das mulheres subiu. A linha escura é a comparação justa: de 22,3% em 2009 para 9,3% em 2025. Entre os dois anos posteriores à lei, de 11,7% (2023) para 9,3% (2025). Dois pontos não fazem tendência, e o trabalho não afirma causalidade.
contra 43,1% no mercado. Achado de acesso.
R$ 1.050 contra R$ 3.719 de mediana mensal.
a desigualdade se intensifica no topo, não se dissolve.
Vínculo 80 (diretores sem vínculo e dirigentes sindicais), 1.755 registros, sem limitação legal de jornada e por isso fora da régua da CLT usada no resto do trabalho. Remuneração mensal, não por hora. Mann-Whitney p = 7,35e-36. Amostra pequena: ler a direção, não a casa decimal.
Carregue a folha de pagamento anonimizada e veja, na mesma régua do mercado, quanto do gap da empresa é composição de cargos e quanto sobra depois de igualar tudo. Nada sai do navegador: o arquivo é lido aqui, não é enviado nem guardado, e colunas de identificação são descartadas na leitura.
O sistema faz um palpite pelo nome da coluna e mostra aqui. Nunca decide em silêncio.
A barra roxa escura é a régua da RAIS no mesmo recorte (gap descritivo dentro do nível, base completa). Comparação bruta com bruta, controlada com contrafactual nacional.
Por escolaridade e por cargo. Recortes com menos de 30 pessoas de um dos gêneros aparecem bloqueados, com o n visível.
| Recorte | Mulheres | Homens | Mediana F | Mediana M | Gap | Régua RAIS |
|---|
O experimento contrafactual pega 20.000 pessoas reais do conjunto de teste, muda apenas o gênero e pergunta ao modelo campeão o salário previsto nos dois cenários. Como cada perfil é comparado consigo mesmo, o resultado não sofre do paradoxo da composição. Aqui está o resultado por recorte, exatamente como o notebook calculou.
calculado na Estação 5.14 do notebook
R$ 5.845,55 por mês em 220h
R$ 6.299,67 por mês em 220h
R$ 2,06 por hora. R$ 5.903,58 ao longo de 13 salários.
Um perfil só é ilustração, não evidência. A evidência é a distribuição dos 20.000 perfis: gap mediano de 16,1%, metade dos perfis entre 3,8% e 24,9%.
Salário por hora mediano previsto para 8.000 pessoas do teste quando toda a população recebe aquele gênero e aquela cor, com o modelo que inclui a interação gênero × raça. O eixo não começa no zero, de propósito.
Marcados em âmbar: menos de 500 casos no treino, onde a posição exata não é confiável. O achado firme: todos os perfis femininos ficam abaixo de todos os masculinos, 12,7% entre as duas metades. A ordem por raça dentro de cada metade não é robusta; para interseccionalidade, a evidência forte é a análise descritiva da base completa.
Os mesmos números viram texto pronto para a rotina de Pessoas e compliance. Tudo sai como rascunho: exige revisão humana antes de circular, e os campos que só a empresa pode preencher ficam marcados.
A guarda procura três coisas: frases que atribuem o gap ao comportamento das mulheres, previsões de modelo tratadas como salário justo, e conclusões sobre recortes pequenos. Ela explica o que trocar. Não reescreve escondido.
O campeão é um Random Forest treinado no logaritmo do salário por hora, escolhido pelo menor erro absoluto médio em log entre seis modelos. O critério foi definido antes de olhar a tabela e o conjunto de teste foi aberto uma única vez, no fim.
metade das previsões erra menos que isso. O chute da média erra 59,1%.
contra 0,6710 do baseline: 47,9% menos erro.
salário depende de muita coisa que a RAIS não registra. Valor honesto, não defeito.
amostra de 150.000 vínculos, validada contra a base inteira e contra seis sorteios.
MAE em log, quanto menor melhor. Gradient Boosting empatou tecnicamente (0,3503) e perdeu no critério. Hiperparâmetros do campeão: 120 árvores, profundidade 18, mínimo de 5 por folha.
Peso somado das colunas de gênero: 2,6%. Peso baixo não significa desigualdade pequena: para prever salário, escolaridade e tempo de casa carregam mais informação. Quem responde a pergunta do trabalho é o contrafactual.
Responde só com o que está na ficha e nos números do notebook. Se a pergunta pede algo que não foi calculado, diz o que falta.
Nenhuma tela pede nome, matrícula ou salário de uma pessoa. A folha é lida no navegador e descartada.
200 na régua nacional, 30 de cada gênero na folha. Abaixo disso, o número aparece bloqueado com o n.
Nenhuma saída sugere salário, promoção ou ordena pessoas. O objeto é a empresa e o mercado.
Todo texto gerado passa por revisão antes de virar relatório ou comunicação oficial.